terça-feira, dezembro 18, 2012

Darwin e Nós

Não há dúvidas de que quando se pretende trabalhar para e com as pessoas, tudo gira à volta da sua anatomia psíquica. A fórmula é abrangedora, bastante elementar e decisiva: é preciso conhecer o passado para entender o presente. Com base nestes dois elementos fulcrais é então possível calcular, traçar e/ou deduzir o futuro (ver publicação relacionada: Ser ou Parecer, eis a questão!)

A Origem das Espécies de Charles Robert Darwin
Em 1859, a publicação da obra de Darwin A Origem das Espécies irrompeu no mundo teológico como o arado num formigueiro. A teoria de que o homem descende de um primata inferior fez estremecer os alicerces do Vaticano. Para calar semelhante heresia, que parecia regalar o Genesis a uma fábula, a Igreja católica criou organizações científico-religiosas e tirou os seus prebostes das palestras com a intenção de desprestigiar Darwin e os seus acólitos.

Com este propósito, foram convidados Samuel Wilberforce, bispo de Oxford, e outros clérigos para a reunião da Sociedade Britânica de Oxford de 1860. Atraídas pela expectativa do debate, cerca de 700 pessoas acorreram ao museu da cidade. Um atrás do outro, os representantes da Igreja foram-se levantando para rebater as ideias darwinianas.

O australopitecos - Darwin e Nós
o Australopithecus anamensis, o nosso parente mais remoto
O último a tomar a palavra foi o bispo Wilberforce, um incontestável mestre na oratória sagrada e na melindrosa arte de exacerbar os preconceitos, que, dirigindo-se ao fisiólogo Tomas Huxley, perguntou: 'Darwin pretende descender de um macaco por linha do avô ou da avó?' A chacota episcopal terá provocado uma sonora e frenética gargalhada no auditório. Não há dúvidas de que, se o bispo pudesse levantar hoje a cabeça, ao abdicar seguramente deste tipo de conhecimento, desejaria regressar sem grandes cerimónias para o seu descanso eterno.


Salvo os criacionistas, hoje ninguém duvida de que os humanos são primatas e que, como tal, têm um parentesco evolutivo com criaturas tão díspares como são os saguis, os macacos e o gorila. No mundo biológico, os laços de irmandade tornam-se mais patentes. A maioria dos cientistas concorda em dividir a estirpe dos primatas em três grupos: os társios, os prossímios e os antropoides. Este último reune os primatas superiores: os macacos do Novo Mundo (platirrinos) e os do Velho Mundo (catarrinos), incluindo a espécie humana.

Darwin e Nós - Raquel Pimentel
Apesar das explicações pouco 'protuberantes' com os australopitecos, criaturas simiescas, a alegarem posturas hominídeas há cinco milhões de anos, considera-se iniciada a aventura da evolução humana.